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    Principais indicadores

    Na quarta-feira, 16, o Federal Open Market Committee – FOMC do Federal Reserve System aprovou a já esperada elevação dos juros interbancários nos EUA. Primeira aumento desde dezembro de 2018, a elevação de 25 pontos-base permite uma flutuação entre 0,25% e 0,50% ao ano. Além desta decisão, o FOMC indicou que novos aumentos devem acontecer durante 2022 e também em 2023. Para o corrente ano, a expectativa é da taxa básica flutuar entre 1,9% e 2,0%. Já para o próximo, o mercado estima um patamar de 2,75%, o mesmo de 2008, auge da crise das hipotecas “subprimes”.

    Mercados de ações

    Apesar do aumento dos juros básicos nos EUA, os mercados de ações recuperaram as perdas da semana anterior. O Ibovespa subiu 3,221%, fechando a 115.311. Nos EUA, o S&P 500 subiu 6,16%, o Dow Industrial 5,48%, o NASDAQ Composite 8,18% e o Russell 2000 5,38% em relação à sexta feira anterior.

    Federal Open Market Committee (FOMC) in Washington DC April 26-27, 2016.jpg
    Reunião do Federal Open Market Committee - FOMC de abril de 2016. (Créditos

    Na Europa e na Ásia os preços médios também registraram crescimento. Em Paris, o EuroNext 100 fechou a 1.263 pontos e em Londres, o FTSE alcançou 7.404 pontos, altas respectivamente de 6,00% e 3,48% na semana. Em Tóquio, o Nikkei 225 subiu 6,62% e em Hong Kong o Hang Seng alcançou 21.412 pontos, 4,18% acima da sexta-feira, dia 18 – porém ainda 12% abaixo do fechamento do dia 18 de fevereiro.

    Commodities

    O preço dos futuros de petróleo continuam recuando: os contratos Brent fecharam a semana a USD 107.93 e os WTI a USD 104.70, perdas de cerca de 4% em uma semana. O ouro perdeu 2,81% em Londres, fechando a onça-troy a USD 1,929.30.

    Café, milho e soja também perderam preço, fechando respectivamente a USD 220.30, USD 741.75 e USD 1,668.00. As variações na semana foram de -1.19%, -2.98% e -1.35%. Porém, as perdas da semana ainda estão longe de trazer os preços aos patamares de seis meses atrás. Petróleo e milho, commodities afetadas pela crise na Ucrânia, estão 40% mais caros do que em setembro de 2021.

    Moedas

    No mercado de câmbio, o euro e a libra esterlina recuperaram-se em relação ao dólar norte-americano, com ganhos de 1,34% e 1,10% na semana. A moeda dos EUA, por sua vez, ganhou 1,61% em relação ao iene japonês. No mercado internacional, o real esteva praticamente estável em relação ao euro mas ganhou quase 1% sobre o dólar. Na sexta-feira, 11, um dólar comprava 5,07 reais, contra 5,02 no dia 18. Já as cotações registradas no Brasil pelo BC, variaram de 5,02 para venda no dia 11 para 5,04 no dia 18, sugerindo uma saída de recursos do país.

    Expectativas para a economia brasileira

    O Relatório Focus da última sexta-feira, 18, trouxe novo aumento na expectativa do IPCA para 2022, que passa de 6,45% na semana anterior para 6,59%. Esta é a décima semana consecutiva de alta. A expectativa para 2023 também subiu de 3,70% para 3,75%.

    Já quando ao crescimento do PIB, o entendimento do mercado passou de 0,49% para 0,50% durante este ano. Para 2023, houve uma redução da expectativa de 1,43% para 1,30%. O preço esperado do dólar norte-americano em dezembro de 2022 ficou estável em R$ 5,30 e teve um ligeiro aumento de R$ 5,21 para R$ 5,22 esperados para dezembro de 2023.

    E, talvez por influência do aumento de juros nos EUA, a expectativa da meta da taxa Selic passou de 12,75% para 13,00% ao ano em 2022 e de 8,75% para 9,00% em 2023.

    Conjuntura econômica brasileira

    O IBRE, Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, e o Estadão promoveram no dia 10 de março o I Seminário de Análise Conjuntural de 2022. O encontro contou a participação de Armando Castelar, pesquisador do FGV IBRE, José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE e Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro FGV IBRE. A moderação esteve a cargo de Adriana Fernandes, repórter e colunista do Estadão. Seguem alguns destaques da discussão.

    I Seminário de Conjuntura Econômica de 2022.

    Segundo Senna, a escalada inflacionária se alastrou de fenômeno concentrado em alguns produtos para um fator geral da economia dos países ricos. A velocidade de difusão e a intensidade do problema pediriam uma ação mais imediata e eficaz dos bancos centrais, o que não vem ocorrendo. O FED, por exemplo, ainda está no processo de tapering, estímulo da economia através da compra de ativos e consequente injeção de moeda no mercado. Porém, a atitude do FED pode em parte ser explicada pela preocupação com o quadro recessivo causado pela pandemia de COVID-19. De fato, a súbita interrupção do processo produtivo gerou uma situação para a qual não existe histórico de comportamento econômico.

    E no momento em que a pressão inflacionária da pandemia diminui, o conflito na Ucrânia gera novas e maiores incertezas. Isto leva a uma maior relutância das grandes economias em aumentas seus juros básicos (como hoje sabemos evidenciado pelo FED e pelo Banco Central Europeu).

    No Brasil, a trajetória dos juros básicos foi diferente. Durante a pandemia, o BC efetivamente praticou juros reais negativos porém, em 2021, fez uma enorme e súbita correção. Atualmente, o juro real no país está no alto patamar dos 7,5% ao ano. A tendência do BC, segundo o chefe do Centro de Estudos Monetários, seria ajustar a taxa básica à inflação tentando manter este nível de juro real. Numa visão geral, devemos esperar juros elevados por muito tempo, o que é contrário ao interesse dos empreendedores.

    Silvia Matos observa que dentro do ciclo de lentidão da economia, há espaço para um “crescimento automático” na direção dos níveis pré-pandemia. Com uma maior liberdade de movimentação, os níveis de consumo de bens e serviços está aumentando. Por outro lado, mesmo antes do conflito na Ucrânia, havia uma expectativa de recuo das atividades que dependem do ciclo econômico, como indústria de bens manufaturados e construção civil.

    A coordenadora do Boletim Macro salienta que as incertezas da guerra terão impacto na volatilidade dos mercados, o que pode prejudicar economias emergentes. Por outro lado, a alta das commodities deve ter impacto positivo em nossa economia. E, de um modo geral, o volume de reservas do BC e os balanços corporativos das empresas nacionais estão em níveis saudáveis. Além disto, o Brasil tem baixa exposição comercial em relação aos países em conflito. Este conjunto de fatores internos e externos justifica uma certa expectativa otimista, mesmo considerando os gastos públicos esperados neste ano eleitoral. Porém, mesmo com tal otimismo, a previsão de crescimento do PIB fica na casa do 0,6% neste ano.

    Armando Castelar também acredita que com o fim da pandemia, esperado para o segundo semestre, haja uma maior recuperação da economia. Também acredita que o conflito na Ucrânia já deve estar encerrado no segundo semestre e que seu efeito maior será no aumento da inflação mas não da produção. Fora isto, certos setores, como o shale oil nos EUA, podem ter um crescimento significativo na medida em que o preço do óleo cru sobe e desaparece a confiança na Rússia como parceiro comercial. Já na Europa, a aplicação de medidas de estímulo fiscal pode reduzir os impactos na atividade econômica.

    O pesquisador da FGV acredita que as taxas de juros permanecerão altas durante muito tempo e que a taxa SELIC deve passar dos 13%. Porém, enxerga fatores positivos na conjuntura, particularmente o superavit primário de 1,25% do PIB, o que há muito tempo não ocorria. Vê também espaço para uma taxa de câmbio R$/US$ abaixo dos 5, para um aumento do nível de emprego e um maior crescimento em 2023.

    Imagem positiva

    Em sua participação na rede CNBC no dia 17, Mark Mobius, um dos pioneiros de investimentos em mercados emergentes, declarou sua expectativa de que as taxas de juros nos Estados Unidos cheguem ao patamar de 6-7% ao ano. Porém, ao contrário da opinião geral, não acredita que o mercado de capitais deva cair, salientando que não há muita correlação entre juros e preços de ações. De fato, Mobius, recomenda a compra de ações de empresas que tenham capacidade de reajustar seus preços como antídoto contra a inflação.

    Quanto ao cenário mundial, o fundador da Mobius Capital Partners, observou que fatores como sua relação com a Rússia e a retirada de diversas ações de empresas chinesas das bolsas americanas está trazendo incerteza para o mercado chinês. Porém, na América Latina e mesmo na Ásia há mercados de capitais emergentes com expectativas bastante positivas. Como exemplo citou nominalmente a África do Sul e o Brasil, o que é sempre bom para nossa imagem.

    O pagamento misterioso

    Quarta-feira, 16, foi o vencimento de dois cupons de dois títulos da dívida soberana russa (dívida pública do país) no montante de US$ 117 milhões. Apesar de ter reservas mais que suficientes, dados os vários bloqueios econômicos, especulava-se se a Rússia conseguiria ou não pagar e, se não o fizesse, quais as consequências. Segundo especialistas como a agência Standard & Poor, não importa o motivo, a falta de pagamento constitui inadimplência ou, em inglês, default.

    No dia, porém, teria ocorrido uma transferência do JP Morgan, representante do governo russo, para o Citygroup, o agente recebedor dos pagamentos, que somente poderia ocorrer se autorizada pelo governo de Washington. Fica aparente que há fundos do governo russo fora das sanções multilaterais e estas contas seriam empregadas para pagamento das dívidas soberanas, o que faz sentido pois impedir tais operações prejudicaria apenas os credores. Ou, ainda, pode ser que o governo Biden tenha julgado que neste momento forçar um default seria contraproducente às negociações de paz.

    Aceitando que o pagamento realmente ocorreu – nem o JP Morgan nem o Citygroup podem comentar o assunto – a questão real, levantada Damian Sassower, da área de dívida pública dos mercados emergentes da Bloomberg, não é como mas por que a Rússia pagou?

    Como acima, seria mais do interesse de Moscou suspender os pagamentos, até como um meio de retaliação contra o Ocidente ou para usar o dinheiro no esforço de guerra, perdão, no esforço de “operação especial”. Mas, partindo-se do princípio de que a transferência realmente ocorreu, é possível especular três possíveis motivos.

    O primeiro seria que os títulos estariam nas mãos de oligarcas russos. O pagamento então seria apenas uma transferência do tesouro russo para a “elite” controladora de um dos país com maior desigualdade (real) do mundo.

    O segundo seria a perspectiva de um cessar fogo, o que levaria o governo russo a ter esperança de reaver suas reservas em pouco tempo. Não faria, portanto, qualquer sentido deixar-se colocar na condição de país insolvente.

    O terceiro motivo, que Sassower acredita o mais provável, é consequência de um processo movido pela mineradora canadense Crystallex International Corporation contra a República Bolivariana da Venezuela. Em 2011, o governo venezuelano nacionalizou sem indenização um conjunto de investimentos da Crystallex. Esta, por sua vez, apelou para arbitragem que lhe foi favorável, decisão posteriormente confirmada pela vara federal do distrito de Columbia (United States District Court for the District of Columbia).

    Porém, como o governo de Caracas não honrou com o pagamento da indenização de 1,4 bilhão de dólares, a Crystallex pediu o confisco e venda de ações da Petróleos de Venezuela Holdings, subsidiária da Petróleo de Venezuela SA em cujo patrimônio foram incorporados os bens dela expropriados. Esta decisão abre claro precedente para que no caso de default dos Eurobonds ou outras obrigações, os credores possam solicitar a posse de bens de empresas ligadas ao Estado russo.

    Porém, embora haja sinais de que este primeiro pagamento foi realizado, ainda há grande dúvidas sobre os próximos compromissos. Ainda em março há outro vencimento de juros da ordem de US$ 615 milhões e, em 4 de abril, um vence um título no valor de 2 bilhões de dólares – mas que pode também ser pago em rublos.

     

    Estes são os assuntos do The Monday Call desta segunda-feira. Obrigado pela leitura e por seu interesse. Até a próxima edição.

    The Monday Call é um produto da WPJ & Associados.