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    O jogo do botão

    Genial invenção brasileira, apreciado mesmo por quem não gosta da versão real, com alegria podemos relatar que o futebol de botão está bem e conquistando novos adeptos no Brasil e no mundo. Também conhecido como futebol de mesa, o passatempo foi oficialmente reconhecido como esporte de salão pelo Conselho Nacional do Desporto em 1977. E como o brasileiro não consegue ficar sem uma confederação seja lá do que for, logo surgiu a CBFM – Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.

    Se o leitor e a leitora têm mais de quarenta anos, certamente jogaram ou viram serem jogadas emocionantes partidas de futebol de botão. E se têm mais de cinquenta, provavelmente a viram ser jogada sobre o famoso e inigualável Estrelão. Mas, se nunca viram, podem ler mais sobre o assunto e quem sabe se animar a praticá-lo.

    Futebol do botão, um hobby brasileiro. (Créditos)

    Porém, os jogos de botão do título desta edição nada têm a ver com os conjuntos de palheta e discos de madeira, plástico ou baquelite. Estamos na verdade falando do botão de editar do Twitter.

    Diferente de outras redes de comunicação social, como o Facebook e o LinkdIn, o twitter não tem botão “editar”. E a falta deste recurso é tida como a razão para Elon Musk, ele mesmo um tuiteiro militante, como diria o finado Odorico Paraguaçú, ter se tornado o maior acionista externo da empresa. Segundo consta Musk, há muito se bate pelo nosso direito de corrigir o que postamos no aplicativo do passarinho azul.

    Porta-voz de magnatas e chefes-de-estado modernos, a Twitter Inc (TWTR) está diante de uma escolha importante dentro de um cenário de grande incerteza. Pressionada por um grande acionista, deverá decidir entre introduzir ou não o recurso de edição das mensagens.

    Se decidir-se por manter seu aplicativo como está, poderá receber críticas e incentivar Musk e outros interessados a bancar um hostile takeover, uma disputa pelo controle da empresa.

    Se a atual direção preferir instalar o recurso, estará reduzindo as tensões com a base de usuários, especialmente usuários com grande capital ou força política. Mas estará também abrindo seus flancos para diversas ameaças.

    Fica, por exemplo, mais fácil propagar fake-news e mensagens de ódio. Basta escrever um texto “tóxico”, deixá-lo por alguns minutos e depois fazer uma correção. Neste cenário, a empresa se expõe a sanções e outras perdas de responsabilidade civil. Mais ainda, fica também sujeita a perdas de faturamento consequente de uma eventual redução do número de usuários.

    A semana na economia

    O grande evento do mercado international foi a oferta de USD 43 bi feita por Elon Musk para adquirir o controle da Twitter Inc. Seu plano é fechar o capital da empresa, livrando-a da pressão do mercado por dividendos e valorização. Desta forma, segundo o CEO da Tesla, a companhia poderá crescer e se tornar uma plataforma de livre expressão.

    Mas a diretoria da Twitter, que potencialmente será demitida, traçou um plano de contra-ataque. A proposta é colocar nos estatutos da empresa que quando qualquer acionista individual atingir uma participação de 15%, os demais podem comprar ações com um grande desconto. Aumentando o número de ações, reduz a participação individual de todos os acionistas. Desta forma, Elon Musk seria obrigado a sempre comprar mais e mais ações sem completar os 100%.

    No Brasil, a grande preocupação durante a Semana Santa foi a tendência da alta do real perante o dólar. Até agora, a moeda brasileira valorizou-se 18%, o que segundo analistas da Reuters seria devido aos altos juros do BC e da aversão dos investidores às perturbações da agressão russa à Ucrânia. Porém, o aumento das taxas nos EUA e o esfriamento da economia chinesa, principal mercado das commodities brasileiras, podem levar o real a desvalorizar-se. Fora isto, a própria alta do Ibovespa, consequência da elevação dos preços das ações, torna o Brasil menos interessante para o capital especulativo internacional.

    Na segunda-feira (11) de uma semana curta, tanto dólar quanto o Ibovespa tiveram uma ligeira queda 😧, S&P 500 e Nasdaq também amargando perdas 😩. Já ouro e petróleo registraram altas de 1.4 e 5.7 pontos percentuais no dia.

    A terça-feira (12) viu um pequeno ganho tanto do Ibovespa 😌 quanto do dólar e também do S&P e do Nasdaq Composite 😊. Ouro e petróleo continuaram subindo, este segundo ganhando mais 3.9 pp e fechando acima do patamar do dia 4.

    Encerrando a semana, na quarta-feira (13), Ibovespa, S&P 500 e Nasdaq fecharam em baixa, o que não chega a ser surpresa 🤔. Ouro também perdeu 0.5 pp no dia mas o petróleo continuou sua subida.

    A queda do Ibovespa foi de 1.81% na semana e 4.43% na quinzena, levantando o temor de um ciclo maior de baixa. Conjugado à queda do mercado à vista, os futuros de dólar ganharam 0.84% na quinzena. Em Londres o FTSE perdeu 0.69% na semana, fechando a 7,616.38. E em Hong Kong, o Hang Seng fechou em 21,518.08, uma perda 1.62%. O índice acumula de 25% nos últimos 12 meses.

    A situação na Ucrânia continua mantendo o oleo cru em alta. O Brent ganhou 8.68% na semana, fechando a quinta-feira USD 111.70 para entrega a 22 de junho. A soja manteve-se relativamente estável na semana mas acumula uma alta de 6.21% na quinzena. Os últimos negócios da Semana Santa fechando a USD 1,681.00/contrato.

        Variação
    na semana na quinzena no mês no ano
      2022-04-15 2022-04-08 2022-04-01 2022-03-18 2021-04-16
    Ibovespa 116,182.00 -1.81 ↓ -4.43 ↓ 0.76 ↑ -4.07 ↓
    S&P 500 4,392.59 -2.13 ↓ -3.37 ↓ -1.58 ↓ 4.95 ↑
    NASDAQ Composite 13,351.08 -2.63 ↓ -6.38 ↓ -3.91 ↓ -4.99 ↓
    FTSE 100 7,616.38 -0.69 ↓ 1.04 ↑ 2.86 ↑ 8.50 ↑
    Hang Seng 21,518.08 -1.62 ↓ -2.37 ↓ 0.49 ↑ -25.72 ↓
    Óleo cru Brent 111.70 8.68 ↑ 7.00 ↑ 3.49 ↑ 67.29 ↑
    Soja 1,681.00 -0.47 ↓ 6.21 ↑ 0.78 ↑ 17.29 ↑
    Dólar → Real 4.70 -0.01 ↓ 0.84 ↑ -6.52 ↓ -15.96 ↓
    Euro → Real 5.08 -0.66 ↓ -1.42 ↓ -8.56 ↓ -24.21 ↓
    Euro → Dólar 1.08 -0.64 ↓ -2.23 ↓ -2.25 ↓ -9.82 ↓
    Libra → Dólar 1.31 0.21 ↑ -0.41 ↓ -0.93 ↓ -5.58 ↓

    Expectativas do mercado

    O Banco Central informou que devido à grave em curso, foi adiada sine die a divulgação do relatório Focus desta semana.

    Sinal dos tempos

    Há duas semanas, primeiro de abril (?!), dois policiais de São Francisco, Califórnia, perceberam um automóvel rodando com os farois apagados. Foram atrás do infrator e fizeram sinal para encostar. O carro suspeito parou. Um dos policiais foi até o veículo e, para sua surpresa, percebeu que não havia ninguém dentro. O veículo então começou a rodar novamente. Mas não era evasão da cena, apenas foi estacionar melhor na quadra seguinte.

    Reportagem sobre o incidente da NBC de São Francisco. (Áudio e texto em inglês.) O vídeo original está no Instragram.

    Segundo a Cruise, operadora do “Autonomous Driving Vehicle” ou AV em questão, o automóvel portou-se como um bom cidadão, obedecendo aos comandos da Lei mas procurando preservar a segurança do local. Aparentemente, foi recompensado por sua correção e recebeu apenas uma advertência mas não uma multa.

    Carros que trafegam sozinhos, porém, não são novidade em São Francisco. Nos anos 1960 havia um VW Bug (o nosso Fusca) chamado Herbie que circulava para lá e para cá na cidade.

    Um dos fuscas originais do filme "Se meu fusca falasse" (The Love Bug) de 1968. (Créditos)

    Méqui e seus amigos

    Segundo levantamento da consultoria Statista, o faturamento da indústria de fast-food (ou, tecnicamente, QSR – quick-service restaurants) dos EUA voltou aos níveis pré-pandemia, cerca de USD 265 bi/ano. O mercado é dominado pela McDonald’s porém a análise sugere que os consumidores estão mais dispostos a frequentar redes que oferecem refeições com ingredientes de melhor qualidade.

    Panera Bread em Windermere, Florida. (Créditos)

    Três cadeias de destaque neste subsegmento são:

    1. Chipotle Mexican Grill (NYSE: CMG). Fundada em 1993, a cadeia conta hoje 3 mil restaurantes nos EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha e França. A base de seu menu é a comida mexicana, sevindo pratos como burritos e tacos. Com cerca de 65 mil empregados, a empresa tem uma receita líquida da ordem de USD 350 mi/ano contra um faturamento ao redor de USD 5,5 bi/ano.
    2. Panera Bread. Fundada em Saint Louis, Missouri, em 1987, a Panera Bread tem um cardápio semelhante ao de uma padaria chique brasileira: pães, baguetes, sanduíches, café e chá. A rede opera hoje cerca de 2.000 lojas nos EUA e Canadá, incluindo uma centena sob a marca Saint Louis Bread na Grande St Louis. O grupo mantém cerca de 140 mil funcionários. Sua receita líquida está na casa dos USD 145 mi/ano contra um faturamento bruto de cerca de USD 2.8 bi/ano.
    3. Jersey Mike’s Subs. A Jersery Mike’s Sub tem sua origem em 1956, na cidade de Point Pleasant Beach, estado de Nova Jersey, na forma de uma pequena lanchonete chamada Mike’s Submarines – os “submarines” em questão sendo os algo como os nossos sanduíches a metro, como vendido na cadeia Subway. A loja foi comprada em 1975 por um de seus funcionários, Peter Cancro, na época com apenas 17 anos, que transformou o negócio em uma rede franqueada com quase dois mil restaurantes nos EUA e algumas lojas no Canadá e na Austrália. Com cerca de 19 mil funcionários, a rede tem um faturamento perto de USD 1 bi/ano.

    Todas as três oferecem cardápios mais nutritivos, sem conservantes e corantes. Seu sucesso sugere que a preferência por uma alimentação saudável mesmo que a um preço mais elevado deva ser levada em conta no planejamento de empreendimentos do setor, inclusive no Brasil.

    Ars gratia pecuniæ

    Investimento especulativo em artes plásticas, a compra de esculturas e pinturas na esperança de valorização, não é novidade. Mas dados os preços das obras mesmo de artistas ainda pouco conhecidos, este mercado de um trilhão de dólares está fora do alcance do pequeno e médio investidor individual.

    Moça com livro. Pintura de Almeida Júnior, séc XIX. MASP. (Créditos)

    Em tese, este tipo de operação pode também ser feito em condomínio, reunindo fundos de vários investidores garantidos por um contrato mútuo. Mas, na prática, isto é complicado e dispendioso. Porém, a MasterWorks, uma empresa de Nova York, está oferecendo um mecanismo que, em suas palavras, democratiza o acesso ao mundo do investimento em obras de arte.

    Segundo seu website, a empresa acompanha o panorama em busca de artistas com potencial de valorização e adquire obras que acredite estar com preço bom, “securitizando”-as perante a Securities and Exchange Commission – a CVM dos EUA. Uma vez securitizada a obra, qualquer pessoa pode comprar cotas de propriedade como se fosse um fundo de investimento. A MasterWorks “segura” o ativo no mínimo por três e no máximo por dez anos e depois o revende, dividindo o resultado da operação (preço de venda menos taxa de administração) entre os cotistas.

    Segundo também o website da empresa, citando um estudo da consultoria ArtPrice, entre 2000 e 2028, a valorização do mercado de artes foi 180% maior que a do S&P 500.

    Rápidas da semana

    • Boa notícia para quem está em busca de um apê bem central em Nova York: a Steinway Tower já está recebendo moradores. No endereço oficial de 111 West 57th Street, pertinho do Central Park e do Carnegie Hall, o edifício é considerado o prédio mais “esbelto” da cidade devido à sua pequena largura. Mas quem estiver interessado precisa correr pois o prédio de 84 andares tem apenas 60 apartamentos, desde studios até unidades com quatro dormitórios. Os preços variando de dois a setenta milhões de dólares. É bem valorizado porque, além da área nobre, o prédio fica bem de frente ao metrô.
    • Josep Borrell, o “ministro das relações exteriores” da União Europeia declarou sua opinião de que a guerra na Ucrânia será vencida no campo de batalha e não no tabuleiro diplomático. Triste, porém realista.
    • Desde sua independência, o Paquistão nunca viu um primeiro-ministro chegar ao fim de seu mandato. Para manter a tradição, Imran Khan – um playboy campeão de críquet e formado em Oxford – foi defenestrado do cargo no sábado, 9, pelo parlamento.
    • Depois do país usado rublos para fazer pagamentos devidos em dólares na segunda-feira, 11, a Standard & Poor’s rebaixou o credit rating da Rússia para o nível de “default seletivo”. Isto sugere que os analistas da empresa não acreditam que Moscou queira ou possa trocar os rublos por dólares no prazo de tolerância de 30 dias.
    • A consultoria Gartner estima que o mercado corporativo mundial de hardware para TI será da ordem de USD 4.4 tri em 2022.
    • Elon Musk declinou um assento no “board” da Twitter.
    • O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, mudou-se para Yungay, um bairro problemático da capital, Santiago. Sua intenção é fazer com que sua presença ajude a renovar a área, trazendo mais segurança e investimentos.
    • A inflação de preços ao consumidor chegou a 7% ao ano no Reino Unido, o maior nível em 30 anos.
    • E o preço da gasolina nos EUA aumentou 48% em um ano.
    • O governo chinês não dá sinais de estar interessado em prestar auxílio financeiro ao Paquistão e ao Sri Lanka, este segundo que decidiu não pagar parcelas vencidas de sua dívida externa para poder comprar comida para sua população.
    • A segurança pessoal de Mark Zuckerberg custou USD 26.8 mi aos acionistas da Meta (Facebook/Instagram) em 2021. Já a segurança de Jeff Bezos, CEO da Amazon, saiu por apenas USD 1.6 mi/ano. E a da Warren Buffet, por não mais de USD 273 mil/ano.
    • Jean Jereissati Neto, presidente da Ambev, acredita que 2022 seja um bom ano para a empresa com o aumento da demanda por cerveja. Vamos torcer!
    • O governo alemão estima que o súbito cancelamento do fornecimento de gás russo causará um prejuízo de USD 240 bi em dois anos.
    • O casal presidente dos EUA, Joe e Jill Biden, informou ganhos de USD 610,702 em 2021. O casal vice-presidente, Kamala Harris e Doug Emhoff, esteve um pouco melhor: USD 1.65 mi.

     

    Estes são os assuntos do The Monday Call desta segunda-feira. Obrigado pela leitura e por seu interesse. Até a próxima edição.

    The Monday Call é um produto da WPJ & Associados.