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    Dois Vencedores

    Nada mais adorado e detestado do que um vencedor. Nos negócios, no esporte ou na política quem vence sempre encarna as esperanças mas também as frustrações da pessoa comum. Para amarmos ou detestarmos, nos últimos dias, o mundo testemunhou duas importantas vitórias. Nos Estados Unidos, Elon Musk ganhou a disputa com Parag Agrawal e o board da Twitter. E na França, para alívio do mundo moderado, Emmanuel Macron venceu com razoável margem sua rival Marine Le Pen, líder da direita francesa.

    Elon

    No mercado financeiro, a grande notícia do mercado na semana passada foi a capitulação do board da Twitter que acabou aceitando a oferta de Elon Musk. Parag Agrawal & Friends esqueceram a “poison pill” e fecharam o negócio. Segundo a agência Reuters, no início, a empresa não sabia se devia ou não levar a oferta a sério.

    Elon Musk, FRS (Créditos)

    Afinal, Musk tem um certo histórico de propostas sensacionalistas que não se concretizam, incluindo uma oferta para compra do controle da Tesla que acabou no pagamento de indenizações aos acionistas. Porém, quando a Twitter, e os grandes e pequenos acionistas perceberam que grandes bancos como Morgan Stanley, Bank of America e Barclay’s estavam dispostos a emprestar a Musk parte do capital necessário, a conversa mudou de figura.

    O preço oferecido por Musk em 14 de abril por cada ação da Twitter foi de USD 54.20, o mesmo nível que o papel detinha por volta da segunda semana de outubro do ano passado. Para registro, o gráfico dos últimos oito anos sugere que as ações da Twitter tinham atingido um máximo de cerca de USD 75 em janeiro de 2021 e desde então estavam numa lenta trajetória de descida. Esta trajetória poderia repetir outra que ocorreu entre o máximo anterior – ≈USD 65 em janeiro de 2013 – e o mínimo subsequente – ≈USD 15 em janeiro de 2016. É possível que alguns grupos de acionistas tenham decidido não arriscar uma repetição do ciclo.

    Formalmente, Elon Musk ainda não é o único dono da Twitter pois a aquisição depende da aprovação tanto dos acionistas quanto das agências reguladoras.

    Emmanuel

    Apesar da cooperação durante a Segunda Guerra, Winston Churchill e Charles de Gaulle nunca se deram lá muito bem. Certa vez, alguém perguntou a Churchill se ele considerada de Gaulle um “grande homem”. Dono de um senso de humor corrosivo, Churchill respondeu: “Ele é egoista, arrogante e pensa que é o centro do mundo. Sim, ele é um grande homem.”

    Esta anedota foi contada num artigo do jornalista Tom McTague na revista The Atlantic sobre a vitória de Macron nas presidenciais francesas neste domingo. Assim como de Gaulle – chamado por seus admiradores de “Le grand Charles”, McTague considera Macron egoísta, arrogante e convencido de que o mundo gira ao redor de seu infinito brilho e grandeza.

    Emmanuel Macron (Créditos)

    Numa análise crítica, Emmanuel Macron não tem uma história de sucesso no governo da França. Rápido para dar entrevistas aos jornalistas que se acotovelam na saída das reuniões da União Europeia (falando em inglês apesar do papel do francês como idioma diplomático), o jovem presidente é criticado por suas declarações, posições e propostas que, segundo seus detratores, volta e meia beiram o absurdo.

    Por outro lado, não é fácil ser presidente da França, uma nação eternamente dividida entre esquerda e direita. Um exemplo de tentativa frustrada de reforma foi as mudanças trabalhistas pretendidas por Macron para os futuros ferroviários mas bloqueada pelos atuais cheminots cujos empregos e carreiras não seriam em absolutamente nada afetados. Outro foram os “gilets jaunes” – em referência aos coletes amarelos usados por trabalhadores manuais – um movimento populista descrito pelo radialista liberal britânico James O’Brien como um movimento de gente que não quer pagar seus impostos. Tendo como pano de fundo uma proposta de aumento dos impostos sobre os combustíveis, as inúmeras manifestações causaram enormes prejuízos públicos e privados aos franceses.

    Mas, seja como for, Macron, um ex-banqueiro no centro do espectro político francês, conseguiu a façanha de ser reconduzido ao Palácio do Eliseu, algo que não acontecia desde a reeleição de Jacques Chirac em 2002 (o qual, aliás, venceu Jean-Marie Le Pen, pai de Marine). Mas sua vitória, que nos livra de um governo francês alinhado com a Rússia neste momento crítico da história mundial, é menos que parcial. No primeiro turno, Macron obteve apenas 28% dos votos válidos mas, dada a abstenção de 26%, apenas 20% do eleitorado total. Este resultado o colocou a menos de 5 pontos percentuais de Marine Le Pen e de 6 pontos do candidado de esquerda Jean-Luc Mélenchon.

    No segundo turno, Macron obteve 18.8 milhões de votos, uma vitória folgada contra os 13.3 milhões de Le Pen. Porém, Não tão folgada em relação aos 15.9 milhões de abstenções e votos em branco que dão um sinal claro: os franceses – assim como o resto do mundo – estão perdendo interesse e esperança no sistema democrático.

    Elon Musk conseguiu sua vitória por causa da insatisfação dos acionistas da Twitter com os resultados da empresa. Macron conseguiu a sua apesar da insatisfação do eleitorado francês com seu governo.

    Ambos os casos nos dão o que pensar.

    A semana na economia

    A semana de 25 de abril foi marcada pela espera da reunião do comitê de juros do Fed e por perdas nos mercados de ações. S&P 500 e Nasdaq Composite cairam 3.27% e 3.93%. FTSE 100 ficou relativamente estável enquanto que o Hang Seng recuperou alguns pontos porém ainda registrando uma perda de 4.31% na quadrissemana.

    O petróleo Brent subiu 2.52% na semana mas permanece abaixo do preço do início da quinzena. No campo do FOREX (câmbio), o dólar norte-americano recuperou-se frente ao euro e às demais moedas.

        Variação
    na semana na quinzena no mês no ano
      2022-04-29 2022-04-22 2022-04-15 2022-04-01 2021-04-30
    Ibovespa 107,876.00 -2.88 ↓ -7.15 ↓ -11.26 ↓ -9.27 ↓
    S&P 500 4,131.93 -3.27 ↓ -5.93 ↓ -9.11 ↓ -1.18 ↓
    NASDAQ Composite 12,334.64 -3.93 ↓ -7.61 ↓ -13.51 ↓ -11.66 ↓
    FTSE 100 7,544.55 0.30 ↑ -0.94 ↓ 0.09 ↑ 8.25 ↑
    Hang Seng 21,089.39 2.18 ↑ -1.99 ↓ -4.31 ↓ -26.58 ↓
    Óleo cru Brent 109.34 2.52 ↑ -2.11 ↓ 4.74 ↑ 62.59 ↑
    Soja 1,685.38 -1.78 ↓ 0.26 ↑ 6.48 ↑ 7.28 ↑
    Dólar → Real 4.97 3.72 ↑ 5.87 ↑ 6.75 ↑ -8.54 ↓
    Euro → Real 5.24 3.22 ↑ 3.27 ↑ 1.81 ↑ -19.78 ↓
    Euro → Dólar 1.05 -2.34 ↓ -2.45 ↓ -4.63 ↓ -12.29 ↓
    Libra → Dólar 1.26 -2.07 ↓ -3.73 ↓ -4.13 ↓ -9.00 ↓

    Expectativas do mercado

    (Terminada a greve no Banco Central, foi retomada a publicação do Boletim Focus.)

    Em 22 de abril, quando comparada com os dados de quatro semanas antes, a média das instituições consultadas mostrava uma piora nas expectativas para 2022 quanto ao IPCA (7.65%) e À taxa Selic (13.25%) e uma melhora na opinião geral sobre o PIB (0.65%) e a taxa de câmbio BRL/USD (5.00).

    Já para o ano de 2023, o boletim do dia 22 registrava uma piora na expectativa do IPCA (4.00%) e melhoras quanto à visão dos economistas consultados em relação ao PIB (1.00%) e à taxa de câmbio (5.00). A previsão da taxa Selic manteve-se estável em relação ao verificado nas semanas anteriores, ou seja, 9.00%.

    O relatório de 29 de abril trouxe, no tocante a 2022, uma piora na expectativa do IPCA, passando de 7.65% para 7.89%. As expectativas da taxa de câmbio e da Selic permanecem em, respectivamente 5.00 e 13.25 e a previsão do PIB sobe para 0.70%.

    Já para 2023, a expectativa do PIB permance em 1.00% mas as dos demais parâmetros se degradam: IPCA de 4.00% para 4.10%, câmbio de 5.00 para 5.04 e taxa Selic de 9.00 para 9.25%.

    CNN Minus

    Em 29 de março, o grupo CNN lançou nos Estados Unidos o CNN Plus , um canal de programas especiais “via” Internet. Ao preço mensal de USD 5.99, o serviço se mostrou um fracasso e foi cancelado em 21 de abril. De fato, nem deveria ter começado.

    Logotipo da CNN+ (Créditos)

    A questão é que na semana do lançamento, a CNN pertencia exclusivamente ao conglomerado WarnerMedia (que inclui a revista TIME e artistas do calibre de Pernalonga e seu amigo Hortelino Trocaletras) cujo CEO Jason Kilar era grande apoiador do CNN+.

    Mas a Warner Media estava em precesso de fusão com a Discovery Inc, dona do canal de TV por assinatura do mesmo nome, sob o novo nome de Warner Bros. Discovery. E o CEO da Discovery e da nova empresa nunca achou o CNN+ uma boa ideia e assim que teve o controle total nas mãos, desligou o serviço da tomada.

    Rápidas da semana

    • A espanhola Siemens Gamesa, o segundo maior fabricante mundial de turbinas eólicas anunciou uma expectativa para este ano de uma margem negativa na ordem de 4%. E, nos EUA, a GE Renewable Energy já acumulou mais de USD 2 bi em perdas operacionais desde 2019.
    • Três empresas alemãs do setor de energia eólica, Deutsche Windetechnik, Nordex e Enercon, sofreram ataques cibernéticos desde o início da agressão russa à Ucrânia.
    • O volume de vendas da Coca-Cola cresceu 16% em um ano, chegando a USD 10.5 bi, com uma margem de lucro na casa de 31%. Parte do sucesso é atribuído às novas embalagens de menor capacidade.
    • A justiça russa determinou o sequestro de USD 7 mi de ativos da Google no país, em represália às restrições da empresa contra o canal de notícias da Gazprom, que é uma empresa petrolífera. (Algo tão estranho quanto a Petrobrás por hipótese ter uma rede de TV somente para fazer propaganda do governo.)
    • O ditador norte-coreano Kim Jong-un voltou a ameaçar o mundo com seu arsenal atômico caso o Ocidente interfira nos “interesses estratégicos de Pyongyang”. Em outras palavras, Kim está triste porque o presidente Biden não tem lhe dado muita bola ultimamente.
    • A fabricante chinesa de drones DJI Technology suspendeu seus negócios na Rússia e na Ucrânia para evitar que seus produtos sejam usados em combate.
    • Até a chegada dos invasores, Mykhailo Puryshev dirigia uma casa noturna em Mariupol. Quando viu sua cidade cercada por bárbaros, usou sua van para evacuar o máximo de pessoas. Conseguiu tirar 200 da cidade sitiada – que parece coisa de O Senhor dos Aneis – antes que o veículo ficasse completamente destruído.
    • O Japão deverá elevar seu orçamento militar para cerca de 2% do PIB nos próximos cinco anos. Esta é uma decisão de enorme relevância política para um país que, como a Alemanha, ainda carrega o estigma das atrocidades cometidas há quase um século atrás.
    • A Assembleia Nacional da Venezuela indicou os juízes da nova Suprema Corte, na maioria aliados do governo.
    • Uma das consequências da agressão russa à Ucrânia é o aumento do preço do azeite de dendê, também conhecido como óleo de palma. Maior produtora mundial, a Indonésia proibiu a exportação do azeite de dendê, elevando ainda mais seu preço no mercado mundial. A escasses artificial afeta especialmente a África, onde o produto é um dos ingredientes principais da dieta alimentar.
    • O senado nigeriano aprovou um lei punindo com 15 anos de reclusão quem pagar resgate a sequestradores. A mesma lei pune sequestro com pena de morte se ocorrer a morte da vítima. Há mais de uma década bandos de sequestradores aterrorizam o norte do mais populoso país africano.
    • Segundo a agência Reuters, a diminuição dos custos causada pela valorização do real frente ao dólar ajudou a Gol a superar suas expectativas de receita líquida no primeiro trimestre (T1) de 2022.
    • Os semi-ditatores russo Vladimir Putin e chinês Xi Jinping estão em sinucas de bico semelhantes. Ambos fizeram uma enorme besteira – respectivamente invadir a Ucrânia e decretar uma política maluca de Covid-Zero – mas não podem voltar atrás para não demonstrar fraqueza.
    • Falando em China, o governo chinês está tentando acertar com as agência reguladoras norte-americanas uma metodologia de auditoria que permita às empresas do país continuarem nas bolsas dos Estados Unidos.

     

    Estes são os assuntos do The Monday Call desta segunda-feira. Obrigado pela leitura e por seu interesse. Até a próxima edição.

    The Monday Call é um produto da WPJ & Associados.